
“Eu cansei de ser um capacho de todos. Cansei de ser apenas um fantoche, uma marionete, que todos usam e depois do espetáculo simplesmente fecham as cortinas e guardam dentro de uma caixa escura, sombria. Eu sou idiota, um tremendo idiota. Um idiota por deixar que eles façam de mim essa marionete. Idiota por não ter feito nada a mais tempo. Cansei dessa gentinha, isso mesmo no diminutivo. Gentinha imunda, que me procura apenas na hora do aperto e depois “tchau e até nunca mais”. Mas, pensando bem, é até bom ser dessa maneira, porque assim essas pessoas vão saindo uma a uma da minha vida. Cá entre nós, prefiro não ter ninguém, a ser rodeado de pessoas que só querem o bem de si mesmas, sem se importar com os outros, sem se importar se o que fazem magoam alguém. Acho que é por isso que essa solidão as vezes me ronda. Sou rodeado de pessoas, mas me sinto só. Essa solidão não é de não ter alguém ao lado, e sim de esses alguéns que estão presentes não compreenderem o que se passa, ou tentarem compreender. É assim, minha vida é um caos. Pessoas hipócritas, já estão me dando nojo. Na verdade, todas as pessoas já estão me dando nojo, principalmente as que me fazem de marionete. Mas quer saber, isso acaba aqui. Não vou ser mais essa tal marionete. Com o tempo a gente cansa das coisas, das pessoas, da vida, de tudo. Eu cansei, agora é pra valer. Chega. Cansei, não só das pessoas, mas cansei de mim também. Cansei de tentar fingir que não me importo. Cansei de deixar que a minha vida seja guiada por hipócritas, e não fazer nada pra controlar essa situação. Cansei de ser o centro das atenções nesse espetáculo. As cortinas agora serão fechadas de vez. O espetáculo macabro não terá mais elenco, nem o protagonista. Ele saiu de cartaz. Cansei de tentar enxugar as lágrimas dos outros enquanto as minhas rolavam face a baixo. Cansei de tentar ser outra pessoa. Cansei disso que me fizeram ser. Cansei de tal maneira que não consigo nem pensar em continuar sendo esse idiota escroto. Cortarei minhas “cordas”. Assim como o Pinóquio não precisarei delas para que eu viva. Tenho que mudar. Apenas renovar. Esse meu jeito, as minhas ideias. Tenho que buscar conhecer novas pessoas, sabores, sons, estilos. Já está meio clichê falar sobre isso. Sobre mudanças, nova vida e blábláblá. Mas dessa vez mudarei de verdade. Nada que tenho nessa vida me agrada mais. Até de certas pessoas já estou enjoado. Não gosto muito da mesmice. Ela me irrita, me enjoa. Prefiro sempre estar em constante mudança. Mudarei. Mas dessa vez sem nada que me faça mal. Me renovarei das cinzas que sobraram, assim como uma Fênix.” Dan, v-adio
(via isgiovann-a)